Está na reta final o prazo para inscrição na segunda rodada do programa Finep Mais Inovação – Transformação Mineral, que destina até R$ 215 milhões em crédito não reembolsável (subvenção econômica) para atividades de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação (PD&I) em projetos inovadores, com risco tecnológico associado.
O foco da chamada são minerais críticos e estratégicos e o objetivo é promover o adensamento das cadeias de transformação desses insumos para a descarbonização e a transição energética seguras e sustentáveis. Os interessados podem se inscrever até 31 de agosto pelo link.
Serão apoiados projetos aderentes às seguintes linhas temáticas: 1) Minerais e Materiais Críticos e Estratégicos para Transição Energética e Descarbonização, 2) Mineração Urbana, 3) Imãs de Terras Raras, 4) Tecnologias Sustentáveis para Mineração e 5) Descarbonização da Transformação Mineral.
A seleção busca incentivar o desenvolvimento tecnológico de insumos, compostos, metais, ligas, materiais, componentes, produtos intermediários e finais com aplicações essenciais para a transição energética e descarbonização. Entre os destaques estão projetos relacionados à reciclagem de baterias e à separação e refino de terras raras, considerados temas essenciais para a transição energética global e para o desenvolvimento de cadeias produtivas de minerais críticos. Também figuram iniciativas voltadas ao monitoramento avançado de barragens de rejeitos, com foco em segurança operacional, gestão de riscos e uso intensivo de tecnologias digitais. O conjunto de oportunidades inclui ainda soluções para descarbonização da produção de cimento.
Projetos já contratados
Entre os projetos já contratados está a Unidade Piloto de Sistema de Redução Direta com Hidrogênio (H-DR) para Produção de Aço Verde da Clark Tecnologia na cidade de São Paulo, com apoio de quase R$ 11 milhões. A iniciativa propõe uma solução inovadora e descentralizada para a produção de ferro de baixo carbono, integrando diretamente a geração local de hidrogênio verde ao processo industrial, o que reduz a necessidade de grandes infraestruturas logísticas e aumenta a flexibilidade operacional.
A tecnologia foi concebida para operar adaptada à disponibilidade de energia renovável, aproveitando excedentes energéticos e contribuindo para maior viabilidade econômica e sustentabilidade do processo produtivo. Alinhada às metas globais de descarbonização da siderurgia, a iniciativa aproveita as vantagens competitivas do Brasil, como a oferta de minério de ferro de alta qualidade e o potencial de geração de energia renovável, fortalecendo o desenvolvimento da cadeia de aço verde no país.
Outro projeto já contratado é o Implementação de Rota Eletroquímica para Independência Tecnológica Brasileira na Cadeia Fotovoltaica, da Valpa Mineração e Terraplanagem, localizada no município de Jacareí, SP, com apoio de cerca de R$ 20 milhões. O projeto desenvolve uma rota eletroquímica de baixa emissão de carbono para produzir silício grau solar com pureza de 99,9999% (6N), utilizando eletrólise e energia renovável como alternativa às rotas convencionais intensivas em carbono.
A iniciativa contempla a construção e operação de um protótipo com validação de materiais, parâmetros de processo, estratégias de purificação e indicadores técnicos e econômicos para apoiar sua futura escalabilidade industrial. Além de contribuir para a descarbonização da cadeia fotovoltaica, o projeto fortalece a independência tecnológica do Brasil ao viabilizar uma rota nacional para produção de um insumo estratégico para a transição energética.
Como a sua empresa pode se inscrever
Para se inscrever no programa, é obrigatória a parceria das empresas proponentes com Instituições de Ciência, Tecnologia e Inovação (ICTs). O nível de maturidade tecnológica dos projetos inscritos deve estar compreendido entre os TRLs (Technology Readiness Level) 3 a 7, podendo chegar ao TRL 8 em algumas linhas temáticas. O TRL é uma escala de 1 a 9 que avalia o grau de prontidão de uma tecnologia, desde a pesquisa básica até sua fase pré comercial.
As propostas dos interessados serão analisadas em fluxo contínuo por ordem de entrada. À medida que sejam aprovadas, serão contratadas. Se os contratos aprovados antes do prazo final representarem o total de recursos disponíveis, as contratações serão encerradas.
São dois os modelos de participação: no arranjo simples, a empresa trabalha em parceria obrigatória com uma ICT, com projetos entre R$ 5 milhões e R$ 20 milhões. Já o arranjo em rede reúne a empresa, uma ICT e pelo menos duas coexecutoras. Neste caso, o crédito pode se estender até R$ 40 milhões, com contrapartida reduzida. Os itens financiáveis são pagamento de pessoal, treinamentos, software, serviços de consultoria, viagens e diárias, material de consumo, serviços de terceiros, equipamentos e obras e instalações.
